terça-feira, janeiro 31, 2006
O torcedor, um infeliz
Outro dia eu estava, como de costume, assistindo a futebol na TV.
A Globo transmitia um jogo do campeonato carioca, não me recordo exatamente qual, acho que era Vasco x Volta Redonda, mas qual era a partida na verdade não é o detalhe importante.
O lamentável é qualidade da transmissão que os telespectadores são obrigados a aturar.
Um narrador confuso, aparentemente desinteressado, que narra de forma enfadonha e sem empolgação.
Perde jogadas importantes e passa a nítida impressão de que nunca jogou futebol.
Os comentaristas são outra tragédia.
O Sérgio Noronha vai sempre pelos comentários óbvios, evidentes até para uma criança de sete anos, com minha filha Luisa.
Tem os times que ele odeia - Vasco, por exemplo - e ouvi-lo é uma ofensa para quem tem um mínimo de capacidade intelectual.
Mas o pior são os comentaristas de arbitragem.
Todos foram árbitros, alguns de trajetória expressiva, mas caem no grande erro dos àrbitros: a tendência a enxergar sómente o que querem.
Um exemplo clássico é a tradicional "bola na mão".
Se ouvirmos dez comentaristas de arbitragem opinarem sobre o mesmo lance de bola na mão dentro da área, ouviremos dez opiniões diferentes.
Um festival de besteiras e estultices que irritam o torcedor.
Enquanto isso, a Band promovia o retorno de Luciano do Valle, o último grande narrador, ao lado de Sílvio Luiz.
A Band, inteligentemente, tem um estilo totalmente diferente da Globo.
Optam pela vibração, pelo microfone de campo aberto, pelo som ensurdecedor.
É mais ou menos como estar na arquibancada.
Comparei uma transmissão com a outra e fiquei pensando como as emissoras perdem excelentes oportunidades.
Unindo a vibração da Band com o padrão de qualidade técnica da Globo os espectadores ficariam felizes e o produto futebol seria valorizado.
Mas preferem submeter o torcedor a famigerada reserva de mercado.
A papagaiada das bolas de futebol
Foi preciso um técnico de renome - Emerson Leão - se pronunciar para que o mundo do futebol acordasse para o autêntico circo que os fabricantes de bolas andam promovendo.
Já está na hora da FIFA se pronunciar e decretar que as bolas tem que ser brancas ou de cor que permita diferenciá-la na neve, nos casos que isso for necessário.
Assim, acabaria esse desfile de bolas que parecem saídas da mente de algum carnavalesco, algumas de gosto duvidoso.
Um bom exemplo é a bola usada no campeonato carioca, um tormento para quem assiste aos jogos pela TV.
segunda-feira, janeiro 30, 2006
Afinal, quem é o bom?
A última rodada do "mais charmoso campeonato do Brasil" abalou algumas convicções e trouxe algumas preocupações para os torcedores cariocas carcomidos pelo sol e mareados pelas chuvas de fim de tarde. Vamos a elas:
O clássico do Maraca - A torcida do Flu e a maioria absoluta dos cronistas passou a semana toda imaginando a surra monumental que o Fla receberia na noite de domingo - aliás, um parêntese para dar os "parabéns" a mula que inventou esse horário infeliz de 18h10, quando desde a época do Dom João Charuto o tradicional horário de jogos aos domingos no Maraca é 17h.
Com a bola rolando, Pet marcou primeiro, o Fla empatou.
Novamente Pet deu um passe de pai coruja para filho único e Tuta desempatou.
Mas "El Tigre" empataria, dando o placar definitivo do jogo.
Quem viu o jogo percebeu que, se tirasse o Pet, era arriscado o Fla ganhar.
Um temor e uma preocupação para a torcida do Flu que andou embarcando na onda de "melhor do Rio", se esquecendo que no único jogo contra um time razoável - Americano de Campos - o Flu arranjou um empate.
Quanto ao Fla, um empate com sabor de vitória e a constatação de que a Taça Rio pode ser bem melhor do que o fiasco da Taça Guanabara.
O vexame na Baixada - Pobre do torcedor vascaíno que saiu do aconchego de seu lar, encarou quilômetros de asfalto esburacado, gastou sua gasolina e sentou-se no cimento quente de Edson Passos.
Num dos piores jogos da história do futebol moderno, o Vasco foi merecidamente derrotado pelo América, sendo que o time da casa ainda teve um gol injustamente anulado logo no começo do jogo.
Romário fez a parte dele, mas contar com o auxílio do ex-jogador em atividade Fabio Baiano é querer demais.
Agora a turma das caravelas vai disputar a última vaga com América e Volta Redonda.
Tem que golear a vice-lanterna Friburguense, e torcer por tropeços dos concorrentes.
Perdidos na terra do aço - O Botafogo que vinha tão bem, tomou uma chuva e enferrujou. Nem a estréia de Dodô salvou o time da estrela solitária.
Uma defesa confusa, com Ruy nervoso - será o atraso de salários? - e Rafael Marques dando mole para Amaral fazer um golaço.
Sorte do Botafogo que Túlio continua o mesmo individualista desengonçado de sempre, senão o jogo teria sido liquidado ainda no primeiro tempo.
terça-feira, janeiro 17, 2006
Foi dada a largada...
Após justas e merecidas férias, a equipe de redação do glorioso EE está devolta para entupir os leitores das melhores informações sobre o"poderossísimo" Campeonato Carioca.
Fluminense - Em um dos jogos acompanhados por nossa equipe de comentaristas, o Flu mostrou que pode perfeitamente ser considerado um dos favoritos ao bi-campeonato.
Sob um sol de rachar asfalto, os times sofreram com o calor senegalês da Baixada, jogando em Edson Passos, mas o tricolor saiu-se bem.
Afinal, jogando sem Petkovic, sua maior estrela, não tomou conhecimento da equipe da Portuguesa.
Aliás, o time da Portuguesa só percebeu que estava em campo disputando o campeonato depois do terceiro gol, quando o técnico Manoel Neto, botouFelipe (ex-Botafogo) no intervalo e depois sacou o horrendo lateral Germano.
O time melhorou e chegou a ameaçar, dando oportunidade para Diego provar que foi uma boa contratação.
Mas tirando Robinho Biula e Felipe, o time da Portuguesa é muito fraco, sendo forte candidato a lanterna do campeonato.
O artilheiro do jogo foi Adriano Magrão, o que não deixa de ser uma ótima oportunidade de mandar Tuta passear, mas o Flu já anda falando em Claudio Pitbull, talvez para ouvir outra recusa, como a que ele fez ao Flamengo.
Botafogo - Ganhou bem do Friburguense, o que não quer dizer grande coisa.
O destaque foi a atuação do famoso quem?, Zé Roberto, melhor jogador em campo.
Fora de campo, o time parece que anda enfiando os pés pelas mãos, ao trazer jogadores que já passaram por lá e não deram certo, como Dodô, ou jogadores de fama rápida e futebol opaco, como Pena (ex-Palmeiras). Vamos ver o próximo jogo, amanhã, contra o Madureira.
Vasco - Também sob sol forte, o Vasco foi favorecido pela falha bisonha do goleiro Cleber, no primeiro gol. Mas a vitória por 3 a 1 não deixa dúvidas sobre a superioridade vascaína.
Romário não fez gol, mas o passe dele paraAlex Dias fuzilar o goleiro valeu o ingresso.
Pelo lado do Madureira, algumas figurinhas carimbadas, que já tinham inclusive pendurado as chuteiras, voltaram a campo para pagar mico, como Djair, expulso.
No entanto, Odvan e Muriqui não decepcionaram.
Flamengo - O outro jogo acompanhado pela equipe de EE sob um calor etíope.
Daqui a cem anos, a história vai registrar que o Nova Iguaçu, estreou na primeira divisão ganhando do Flamengo. Se era equipe B, D ou G, não interessa.
Inclusive porque, se fosse o time A, cremos que o resultado não seria muito diferente.
Durante o jogo, a impressão era de que o gol do Nova Iguaçú era apenas questão de tempo, como de fato aconteceu.
Feito o gol, o NI tirou o pé do acelerador e nem assim o Fla encontrou forças para ameaçá-lo.
O perigo de escalarem o time B é que são apenas cinco jogos.
O Fla já perdeu o primeiro e se perder o jogo de amanhã estará fora da disputa da Taça Guanabara. Pior para a torcida é saber que Junior, Diego Souza, Jônatas, Thiago e Obina estão com peso bem acima do esperado. Ou seja, as tradicionais desculpas já estão engatilhadas.
O resto - A exemplo do ano passado, Volta Redonda e Americano podem ser as surpresas.
O Voltaço manteve boa parte da equipe do ano passado e um técnico que conhece o grupo.
O Americano há muito se consolidou como a quinta força do futebol do estado e deve aprontar, principalmente jogando em Campos.
O América foi uma decepção, sobretudo por insistir em jogadores que são uma pálida sombra do passado, como Válber, que falhou em dois gols do Voltaço.