quarta-feira, setembro 21, 2005

 

E os donos do espetáculo?


O futebol profissional é um universo interessante.
Talvez seja um dos únicos ramos profissionais aonde os verdadeiros artistas pouco ou nenhuma influência tem sobre assuntos que os afetam diretamente.
Vejamos dois casos: primeiro, a proposta de adequação do calendário do futebol brasileiro ao europeu.
De acordo com a proposta, nossos campeonatos teriam início e fim no meio do ano.
Alegam os defensores dessa proposta que adequando nosso calendário, osclubes poderiam vender os direitos de transmissão via TV para a Europa, teriam um período para excursionar nas férias, impediriam o êxodo dejogadores no meio do campeonato, etc, etc.
São argumentos questionáveis.
Os direitos de TV para a Europa rivalizariam com a transmissão dos principais campeonatos europeus, como o italiano, espanhol, alemão, por exemplo. Alguém compraria o Campeonato Brasileiro?
Excursões durante o intervalo entre campeonatos atualmente só são realizadas por mega-equipes como o Real Madrid e o Manchester, que possuem realmente mercado, principalmente na Ásia.
O êxodo de jogadores vai continuar, apenas mudará o período da "janela". Independente disso, o pior é que nosso campeonato começaria no inverno e prosseguiria por dentro do verão.
Quem se lembra do campeonato carioca disputado em fevereiro no horário deverão lembra que nem a torcida ia ao estádio, preferindo ficar em casa emfrente a TV tomando uma gelada.
Os jogadores não correm e os jogos caem de nível.
O segundo assunto é a decisão da FIFA de aprovar jogos realizados em grama sintética. Ao menos nesse caso, uma entidade até então pouco conhecida, a FifPro -Federação Internacional de Jogadores Profissionais - resolveu questionar e solicitou um estudo para avaliar quais as consequências de jogar futebol em grama sintética.
Quem já jogou nos dois pisos sabe muito bem a diferença: a dureza da superfície. Ao contrário da grama natural, que amortece as quedas, a grama sintética na verdade é um tapete de fios de nylon coloridos entrelaçados sobre uma superfície de borracha granulada que por sua vez é aplicada sobre uma base compactada.
É muito mais fácil se contundir jogando em grama sintética e, pior ainda, geralmente a contusões são mais graves.
Além disso, jogar em grama sintética debaixo de um sol de 40 graus é umexperiência traumatizante.
Quem já passou, nunca mais esquece.
O que eu quero destacar é que em ambos os casos, os jogadores não foram consultados em nenhum momento da discussão. Espero que essa iniciativa da FifPro seja o início de uma nova relação entre os clubes e os jogadores, os verdadeiros donos do espetáculo.

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